Bedside books
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Bedside books

Helena DuarteHelena Duarte · 2 likes
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Bedside books

Helena Duarte
@livrariahelena
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Essa é a pilha que vive migrando da mesa de trabalho pra mesinha da sala, cheia de orelhas dobradas, post-its coloridos e manchas de café. Não é lista de “obras-primas obrigatórias”, é mais mapa afetivo de uma professora de História da Arte que atravessa a cidade com um livro na bolsa, lembrando de um quadro no MAM enquanto espera o 472 e pescando frases que explicam melhor o Brasil do que muito editorial de jornal. Se você gosta de pensar imagem, cidade, corpo e política com um pezinho na praia e outro na biblioteca, puxa a cadeira, abre o vinho e vem folhear comigo.

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Bedside books — 7 items
NameAutorAnoEixo temáticoClima de leituraMinha leitura
1Pedras de CalcutáAntonio Callado1977Ditadura, jornalismo, Rio visto por dentroTenso, irônico, com cheiro de redação de jornal antigaRomance que eu releio como se fosse reportagem infiltrada: dá pra ouvir passos ecoando pelos corredores do poder e pensar no quanto a cidade guarda silêncios bem arquitetados.
2O Rio de Janeiro de João do RioJoão do Rio (org. Ruy Castro)2008 (organização moderna)Crônicas urbanas, cidade-espetáculoPasseio de bonde fantasmal pelo CentroLeio antes de ir dar aula no Centro: parece que cada esquina ganha um fantasma bem-vestido comentando o figurino dos passantes e o teatro social que nunca sai de cartaz.
3Escritos sobre arte e arquiteturaFlávio de CarvalhoVários ensaios, reunidos em edição recenteVanguarda, performance, cidade como palcoCafé forte, lápis na mão, leve loucuraQuando acho que já vi de tudo em exposição polêmica, volto pro Flávio e lembro que atravessar a rua contra a procissão já foi uma das maiores performances do país.
4O que é arte contemporânea?Jérôme Glicenstein2009Teoria da arte, museus, sistema da arteDidático, mas com pitadas de sarcasmo francêsÉ o livro que eu coloco na mão de quem sai irritado de exposição dizendo “isso não é arte”: não resolve tudo, mas ajuda a trocar a raiva por boas perguntas.
5A queda do céuDavi Kopenawa e Bruce Albert2010Cosmologia indígena, política, ambienteDenso, hipnótico, como escutar uma longa fala à beira do fogoToda vez que olho pro horizonte recortado entre morro e mar depois de ler esse livro, penso em quantos céus já foram arrancados antes da gente começar a falar em ‘sustentabilidade’ no edital.
6A paixão segundo G.H.Clarice Lispector1964Interioridade, corpo, crise existencialSilêncio absoluto, madrugada, luz amarelaLer Clarice é quase instalação imersiva: um quarto, uma barata, um corpo em colapso — e de repente aquele aperto no peito de fim de semestre ganha vocabulário metafísico.
7O sol na cabeçaGeovani Martins2018Contos, favela, juventude cariocaRápido, cortante, como conversa de ônibus lotadoLeio um conto no intervalo entre uma aula e outra e saio pro corredor achando que os personagens vão virar a esquina comigo, com fone no ouvido e sol esquentando a cabeça e as ideias.