1 Pedras de Calcutá | Antonio Callado | 1977 | Ditadura, jornalismo, Rio visto por dentro | Tenso, irônico, com cheiro de redação de jornal antiga | Romance que eu releio como se fosse reportagem infiltrada: dá pra ouvir passos ecoando pelos corredores do poder e pensar no quanto a cidade guarda silêncios bem arquitetados. |
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2 O Rio de Janeiro de João do Rio | João do Rio (org. Ruy Castro) | 2008 (organização moderna) | Crônicas urbanas, cidade-espetáculo | Passeio de bonde fantasmal pelo Centro | Leio antes de ir dar aula no Centro: parece que cada esquina ganha um fantasma bem-vestido comentando o figurino dos passantes e o teatro social que nunca sai de cartaz. |
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3 Escritos sobre arte e arquitetura | Flávio de Carvalho | Vários ensaios, reunidos em edição recente | Vanguarda, performance, cidade como palco | Café forte, lápis na mão, leve loucura | Quando acho que já vi de tudo em exposição polêmica, volto pro Flávio e lembro que atravessar a rua contra a procissão já foi uma das maiores performances do país. |
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4 O que é arte contemporânea? | Jérôme Glicenstein | 2009 | Teoria da arte, museus, sistema da arte | Didático, mas com pitadas de sarcasmo francês | É o livro que eu coloco na mão de quem sai irritado de exposição dizendo “isso não é arte”: não resolve tudo, mas ajuda a trocar a raiva por boas perguntas. |
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5 A queda do céu | Davi Kopenawa e Bruce Albert | 2010 | Cosmologia indígena, política, ambiente | Denso, hipnótico, como escutar uma longa fala à beira do fogo | Toda vez que olho pro horizonte recortado entre morro e mar depois de ler esse livro, penso em quantos céus já foram arrancados antes da gente começar a falar em ‘sustentabilidade’ no edital. |
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6 A paixão segundo G.H. | Clarice Lispector | 1964 | Interioridade, corpo, crise existencial | Silêncio absoluto, madrugada, luz amarela | Ler Clarice é quase instalação imersiva: um quarto, uma barata, um corpo em colapso — e de repente aquele aperto no peito de fim de semestre ganha vocabulário metafísico. |
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7 O sol na cabeça | Geovani Martins | 2018 | Contos, favela, juventude carioca | Rápido, cortante, como conversa de ônibus lotado | Leio um conto no intervalo entre uma aula e outra e saio pro corredor achando que os personagens vão virar a esquina comigo, com fone no ouvido e sol esquentando a cabeça e as ideias. |
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