Sou cardiologista, mas também sou paciente de ônibus lotado, escada rolante quebrada e jogo do Flu no Maraca. Esta lista junta 10 artigos que realmente mudaram minha prática no consultório aqui em Laranjeiras: prevenção primária, infarto, insuficiência cardíaca, tudo com dado na mesa. Nada de textão: resumo curto, número-chave e por que ainda vale a pena ler em 2026.
Ramipril e redução de eventos em alto risco sem disfunção ventricular evidente.
2000.
Clássico da prevenção secundária. Até hoje uso os números de redução relativa de infarto e AVC para explicar por que IECA não é só "remedinho de pressão".
Simvastatina em prevenção secundária em doença coronariana.
1994.
Velhinho, mas foi o estudo que consolidou estatina como remédio de desfecho, não de laboratório. Bom para mostrar ganho absoluto de sobrevida para o paciente cético com remédio “para colesterol”.
Meta de pressão arterial mais intensiva em hipertensos de alto risco.
2015.
Mudou minha cabeça sobre alvo de pressão em idoso de alto risco. Sempre releio para equilibrar benefício de mortalidade com o risco de síncope e queda no paciente da vida real.
Dapagliflozina em insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, com e sem diabetes.
2019.
Abriu de vez a porteira dos iSGLT2 na cardio. Gosto de mostrar que a redução de hospitalização por IC não é detalhe estatístico, é leito de hospital que deixa de lotar.
Vou deixar aqui o espaço em branco para o grande estudo de coorte carioca que ainda vamos escrever.
Futuro.
Só para lembrar que ler ensaio gringo é ótimo, mas falta dado nosso, da vida real do SUS, do calor de Bangu ao túnel Rebouças. Quem sabe algum aluno que leia isso não resolve puxar esse bonde?